quarta-feira, 8 de agosto de 2007

RECORD – Vai recolocar o Aves na Liga?
JOSÉ GOMES – Essa seria uma declaração da moda e não gosto de entrar por aí. Tenho a minha forma de estar e digo aquilo que sinto. Não faço declarações da moda. Temos uma equipa muito forte e podemos lutar pela subida, tal como todos os nossos adversários. Na Liga Vitalis, atendendo ao equilíbrio que existe e que vai continuar a existir, todos querem subir de divisão. Quem disser o contrário está a mentir.
R – Estava com medo de perder espaço para treinar em Portugal?
JG – Medo, não. Acreditando sempre no meu valor, acho que tenho capacidade para estar entre os 32 treinadores que lideram as equipas dos campeonatos profissionais. Estou de regresso e cheio de vontade de colocar em prática as minhas ideias, num clube que permite o relançamento e, quem sabe, consolidar a minha imagem.
R – Foram só os resultados negativos que o impediram de vingar em P. Ferreira e Leiria?
JG – Falar em resultados não é algo de muito concreto. Nesses dois clubes houve alterações profundas ao nível do plantel e de filosofia. É preciso dar tempo para assimilar e consolidar ideias, pois os resultados não surgem num estalar de dedos. Não fugindo aos meus erros, acho que não tive o tempo que era preciso e que se justificava. Talvez se ficasse a dever à falta de currículo como treinador, pois é um facto que isso transmite confiança aos dirigentes.
R – Fracassos que levam a passar uma esponja nos bons trabalhos realizados no Aves e Leixões?JG – Vivemos numa sociedade agressiva e o futebol padece do mesmo. Há muita gente a querer o mesmo espaço e existem variadíssimos mecanismos que podem agredir quem está a trabalhar e, de alguma forma, encurtar o trabalho de quem está em acção.
R – Alguma vez se arrependeu de trocar a posição mais cómoda de preparador físico pela de técnico?
JG – Não. Todos me aconselharam a não deixar de ser preparador físico no Benfica. Podia continuar, como diz, no meu conforto, mas disse que seria treinador. E recordo-me que no primeiro ano, era eu adjunto de António Jesus no P. Ferreira, e lhe disse: ‘Daqui a dez anos pensarei em ser treinador.’ E passados dez anos abracei a hipótese que me deram. Não ando à procura de conforto, mas sim do meu espaço.
R – Escreveram, há tempos, que você era um treinador “muito à frente” e deram como exemplo a greve que os jogadores do Valadares fizeram quando o queriam despedir. Que história é essa?
JG – Estávamos em 93/94, eu treinava os iniciados do Valadares e era a minha estreia como técnico principal. Vínhamos de três maus resultados e no último, com o Pedras Rubras, fizemos um jogo fantástico mas perdermos por 4-3 e tivemos três jogadores fundamentais expulsos. Gerou-se uma crise de confiança enorme. A ideia era ir para o treino camuflados, basicamente com a cara pintada, para dar um sentimento de guerreiros pois achava que era possível com a nossa energia dar a volta por cima. Já no balneário, estavam os miúdos compenetrados a fazer as suas pinturas, fui desautorizado por um director que não permitiu o treino. Abandonei o balneário e disseram-me que estava suspenso. Chamaram o treinador dos seniores, mas os miúdos disseram que não se treinavam sem mim. Inclusivamente, um deles virou-se para o resto do grupo e disse: ‘O nosso mister não está e não treinamos. Quem entrar naquele campo não é homem.’ Passados uns dias, o director retractou-se e retomei as funções. A questão é que, mesmo sem aquele treino, foi possível ver a reacção enérgica do grupo e perceber que eles queriam mesmo dar a volta por cima à situação."

4 Comments:

  1. Anónimo said...
    Psicológicamente é o treinador ideal para o Aves! tem uma mentalidade "NOVA" do futebol e isso é importante! Agr é só por a equipa a jogar! Força Zé Gomes!
    forcaavense said...
    Boa Sorte Mister!...
    Anónimo said...
    Contigo lutar pela manutenção ja será muito. Nao tenho muita confiança no teu trabalho. Ate a data ainda nao ganhas-te nenhum jogo esta época. Até podes vir a fazer um trabalho extraordinário, mas não acreito. Força Aves
    Zé António Silva
    Anónimo said...
    BOM TRABALHO
    ass:bruno martins

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